Vejo que de certa forma a internet é tranquilizadora, pois finalmente dá identidade à essa geração anos 1990... Se não podemos protestar contra uma ditadura, se não temos movimentos musicais ou sociais representativos, pelo menos somos a geração WEB, a da conectividade, da instantaneidade, da tecnologia!
É quase um orgulho, e quem sabe um alívio. A web é a rendenção de uma geração ligeiramente carente de uma identidade que fosse mais generosa do que simplesmente "geração fast-food", que tinha implícita uma idetificação pejorativa, meio a ver com com preguiça, alienação, indústria de massa. Nada tão bacana como contracultura, cinema novo, tropicália...
Agora sim, somos uma geração bacana, a geração WEB 2.0! Afinal!
Monday, May 25, 2009
Wednesday, May 6, 2009
Na Volta
Na volta, não sabia dizer nem para si mesma o que sentia. Logo que pisou fora do apartamento, a sensação forte de uma frustração muito nítida tomou conta do seu peito. Os olhos se encheram de lágrimas, e pensou que ia chorar muito assim que não estivesse mais perto dele, mas não chorou. Desceu as escadas e quando fechou o portão atrás de si, o peito desapertou. Entrou no carro e acendeu o cigarro que queria ter acendido há uma hora. Ligou o rádio e arrancou.
A sensação que tinha era de estar se afastando não só fisicamente; uma perda não só de espaço, mas de tempo, de vida. Sentia com toda força uma parte sua, bem no fundo, morrendo. Como um derrame, um pedaço de seu corpo não recebia mais sangue, não tinha mais vida, virava tecido morto.
Já há algum tempo sentia menos e menos entusiasmo. Mas naquela noite, resolveu não recusar o convite pela terceira vez. Ela chegou, e logo ele começou a falar no celular. Viu que ia ter que se repetir. Levantou, foi até a cozinha, pegou um copo de água e voltou. Pegou um livro na mesinha e começou a ler de uma página qualquer. Como se a casa fosse dela, como se eles vivessem ali juntos, como se ela não fosse visita.
Logo que desligou o celular, ele foi fazer a massa, motivo pelo qual ele a havia convidado. Serviu vinho, colocou uma música. Tudo igual. Depois, conversinhas na sala, esparramados no sofá. E ela falou como nunca tinha se atrevido a falar antes. Sentiu-se bem melhor.
A mariposa no teto, a lâmpada laranja, dando uma sensação muito terna e morna, o Milton tocando com aquela voz suave. E ela, que tinha se preparado com certa ansiedade para estar ali, talvez pensando que algo mudaria, finalmente percebeu que aquilo era muito bom, mas não tinha mais graça nenhuma. Quando foi que ele deixou de ser interessante e ficou tão estéril, tão bobo?
- Dorme aí.
- Pra quê? Amanhã eu acordo cedo. Você vai me dar tchau meio dormindo, meio acordado, e eu vou embora sem você levantar pra abrir a porta. Pra quê dormir aqui?
- É, é verdade – ele riu.
Saiu pela porta sentindo-se carregar uma rocha de 70 quilos na mão. E desceu as escadas desiludida, desinteressada de si mesma. Até que entrou no carro, e, com o cigarro na boca tragou fundo e ligou o som. E viu que existia, afinal, sem ele.
A sensação que tinha era de estar se afastando não só fisicamente; uma perda não só de espaço, mas de tempo, de vida. Sentia com toda força uma parte sua, bem no fundo, morrendo. Como um derrame, um pedaço de seu corpo não recebia mais sangue, não tinha mais vida, virava tecido morto.
Já há algum tempo sentia menos e menos entusiasmo. Mas naquela noite, resolveu não recusar o convite pela terceira vez. Ela chegou, e logo ele começou a falar no celular. Viu que ia ter que se repetir. Levantou, foi até a cozinha, pegou um copo de água e voltou. Pegou um livro na mesinha e começou a ler de uma página qualquer. Como se a casa fosse dela, como se eles vivessem ali juntos, como se ela não fosse visita.
Logo que desligou o celular, ele foi fazer a massa, motivo pelo qual ele a havia convidado. Serviu vinho, colocou uma música. Tudo igual. Depois, conversinhas na sala, esparramados no sofá. E ela falou como nunca tinha se atrevido a falar antes. Sentiu-se bem melhor.
A mariposa no teto, a lâmpada laranja, dando uma sensação muito terna e morna, o Milton tocando com aquela voz suave. E ela, que tinha se preparado com certa ansiedade para estar ali, talvez pensando que algo mudaria, finalmente percebeu que aquilo era muito bom, mas não tinha mais graça nenhuma. Quando foi que ele deixou de ser interessante e ficou tão estéril, tão bobo?
- Dorme aí.
- Pra quê? Amanhã eu acordo cedo. Você vai me dar tchau meio dormindo, meio acordado, e eu vou embora sem você levantar pra abrir a porta. Pra quê dormir aqui?
- É, é verdade – ele riu.
Saiu pela porta sentindo-se carregar uma rocha de 70 quilos na mão. E desceu as escadas desiludida, desinteressada de si mesma. Até que entrou no carro, e, com o cigarro na boca tragou fundo e ligou o som. E viu que existia, afinal, sem ele.
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