A falta é uma coisa engraçada. Primeiro, parece que não tá sentindo - vem tão discreta e silenciosa. Os dias passam, as tardes caem em pôres-do-sol e ela vai conversando com você de mansinho. Começa dizendo que não veio para ficar, que é só por um tempo até as coisas se acertarem. Depois começa a sair com você para um sorvete, e a dizer que gostou do lugar. À noite, se aconchega em sua cama sem que você perceba, e acorda emaranhada entre seus pés. Até que um dia você questiona "poxa, mas você não vai embora?", e ela fica muda - como quem tem vergonha de ser quem é. A falta vai ficando, ficando...
Até que você se acostuma. Ela não é tão má assim. Tem uma carinha doce de cachorrinho perdido e escuta todas as suas lamentações. Vocês saem juntas, passeiam no shopping, vão ao cinema, tomam mais sorvetes, passam as tardes de domingo em frente à TV. E os dias continuam passando e em uma manhã qualquer, você percebe que ela não está mais lá. Você não sente a falta em lugar nenhum.
Você procura por ela, meio sem entender o que está acontecendo. Vocês estavam se acostumando mesmo uma à outra. Como pôde não perceber o momento em que ela se foi? Poxa, que desatenta você se tornou.
Você espera por alguns dias, acreditando que daqui a pouco ela volta. A falta é assim mesmo, some de vez em quando. Mas volta.
E ela ainda não voltou.