Thursday, July 15, 2010

Um dia

Amizades perdidas, outras recém-chegadas...
Amores perdidos, outro presente e revirando tudo em volta...
Sonhos deixados pra trás, e outros que não param de pulsar...
Uma vida que achei que tinha, e outra que começa a se mostrar...
Crenças de que o mundo era lindo e feliz pra sempre, e frustrações que vêm agudas demais...
Certeza de que todos envelhecemos, e mortes inexplicáveis que acontecem à minha volta...
Um desejo tão profundo de mudança, de sair e virar outra vida, outra pessoa, outra casa...
Uma certa importância dada ao que não tem nenhuma...
Ligações não completadas.
Textos por escrever.
Livros sem terminar de ler.
Prateleiras e gavetas apinhadas.
Bagunça, muita bagunça.
Sem ver saídas no horizonte tão longo e fugidio que se estende a perder de vista.
Vontade que não se concretiza.
De sair. De ler. De escrever. De ter alegria.
Rotina. Rotina. Rotina.
É, rotina.
Mais que rotina, melancolias.
Falta entender esse mundo, falta um esconderijo secreto, falta o que me arrebate, me surpreenda de um jeito feliz.
Só falta. E não sei como conseguir.

Monday, July 5, 2010

Ana Júlia

Depois de muito brigar com ela e acreditar que aquela menina havia chegado para atrapalhar sua vida, eis que se vê chegando em casa tarde da noite e ajeitando a coberta da irmã com todo o carinho possível.

Tinha já 13 anos quando a temporona chegou, e aceitar que o lugar institucionalizado de filha única se transformaria no burocrático lugar de irmã mais velha, foi uma barra meio pesada de aguentar. Afinal, porque enquanto tudo o que ela queria era ir ao show dos Backstreet Boys cover, tinha que se haver com uma mãe totalmente voltada para o universo das escolinhas infantis?

Mas o tempo, inevitavelmente, passou.

Do alto de seus 23 anos, ela cobre com carinho a intrusa que agora tem 10. Ela acorda com a mexida das cobertas e olha docemente para aquele que é seu modelo de mulher adulta (coisa que a burocrata irmã mais velha ainda nem tem certeza de ser). E no que a maior responde "pode voltar a dormir", ela obedece com a tranquilidade de quem confia plenamente.

É, ela chegou para fazer de mim uma mulher melhor.

Sunday, July 4, 2010

Eat Pray Love Write

Eu já havia decidido isso há muito tempo. E já decidi isso muitas vezes, na verdade. Mas, de alguma forma, nunca levo a decisão para frente. E na verdade não preciso de muito. Só preciso me sentar, ligar o computador, acessar o blog, e escrever.

Sim, as histórias me aparecem em algumas esquinas. A última me pegou no meio de uma apresentação de dança no Palácio das Artes. E eu falei ela em volta alta, para não deixar escapar. Quando falei, ela entendeu que tinha que seguir comigo até o dia em que eu me decidisse por escreve-la. E eu ainda não escrevi.

Hoje mesmo eu disse "Não é possível, não aceito que o trabalho deva ser essa coisa estafante e ridícula que tem sido". E se eu pensar bem, tenho toda a razão. É só que, na verdade, eu ainda não estou fazendo o meu trabalho. Estou fazendo o dos outros.

Eu quero escrever. Eu vou escrever. Esse é o meu trabalho.