Tuesday, September 23, 2008
Sunday, September 21, 2008
Pode me deixar aqui, sozinha, de maos vazias.
Eu nao possuo o suficiente. E voce nao quer mais que uma ou outra noite.
Eu tenho muito pra te dar, mas nao posso ser tao generosa.
Ja te disse, essa fase ja passou.
Te pareco mais mulher? Menos mocinha?
Sabe muito bem que e tudo obra sua.
E agora nao tem mais nada pra mim.
Te usar? Poderia. Mas a que preco?
Cansei de tanto rodar em circulos, a sua volta.
Porque sempre que penso ter certeza de que ja nao me importo, me engano. Redondamente.
E voce, segue na sua, sempre na sua.
Nas suas tambem. Nao, disso nao me iludo.
Ora, vou ter que aprender a ser tudo, ser forte, e ser so.
Ja te disse, nem sei se me arrependo, mas eu disse.
So quero mesmo e acreditar na doce mentira de sou a unica.
Thursday, September 18, 2008
Pode ser qualquer, mas tem que ser o seu.
Não adianta inventar muita moda.
Fingir que quer ir por ali, quando o seu negócio é por aqui.
Parar pra pensar demais, também não funciona.
Tem que sentir o problema e parar um minutinho.
Piscar algumas vezes, molhar a retina, daí você vê melhor.
A cabeça roda, o coração palpita;
Não dá pra se preocupar com todas as outras mulheres do mundo.
Não dá pra decidir tudo sem prensar em nada.
Não dá também pra sair correndo.Correr atrás, você sabe, já corre.
Eles é que não sabem disso.
Vai deixar tudo pra trás por causa deles?
Vai chegar lá no final, sem nada nas mãos?Difícil mesmo é entender. Entender essa sua cabeça.
E decifrar esse queimação na altura da garganta, entre o pescoço e o colo.
Afinal, não é difícil pegar a estrada errada. Mas isso lá existe?
Não aguenta que reclamem na sua cabeça.
E reclamem do que todo mundo faz, sem reclamar.
Queria que eles crescessem. E você também, né?
Pelo menos deixou de chorar.
Por bobagem, claro. Não tem tanto motivo sério pra ficar chorando por aí.
Agora quer é atazanar quem já te atazanou.
Muito merecido pra todos eles.
O que você não pode mesmo, é deixar de séria.
Não, mesmo! Quem importa se eles reclamam do seu bico?
Seu charme é esse, ora!
Monday, September 15, 2008
-Como assim? Mal começou...
-Cansei, poxa. E daqui a pouco canso de ficar cansada. Então, vambora!
-Aiaiai, quando empaca é uma tristeza, né? Vamo então.
- ...
-...
-Fica bravo, não.
-...
-Fica não.
-Ah, tá. Mas agora vamos então!!
-Quer ficar? Eu fico então.
-Ai, meu deus!
-Tá, eu fico.
-Agora quem vai sou eu. Saco!
Sunday, September 14, 2008
Obrigada, F.M.
Você pode ver. E ainda assim, tropeça.
Pode enxergar, e ainda assim. Esquece.
Pode distinguir, mas erra.
Pode olhar. Mas se perde.
O que é ser cego?
O que é não ser?
Are you blind?
Minha mae, coitada, teve que cortar as ruas cheias de folioes para chegar ate a maternidade.
E eu nasci entre confetes e serpentinas.
Nessa loucura cheia de delicia e encanto que segue comigo sempre.
A alegria nao precisa ter fim.
E os versos das marchinhas... infinitas marchinhas, me ninaram.
Ninam, ecoam, lindas. E eu vivo nessa eterna festa em mim, que nao tem hora, nem lugar.
Nem porque.
Porque so no carnaval pode. E eu, posso sempre.
Friday, September 12, 2008
-Nunca viu isso antes, é?
-Não.
Suspirou. Pensou melhor.
-E o que você acha?
-Ah, sei lá.
Fechou os olhos.
-Olha.
-Não.
Abriu.
-Chega aqui um instante.
-Chego.
Chegou.
-Já chega, né?
-Imagina, já?
-Já.
Levantou. Caminhou até a porta. Abriu com cuidado.
-Espera, né.
Esperou. Calçou os sapatos. Passou a mão na franja, ajeitou.
-Então, vamos?
-Agora mesmo.
Buscou o interruptor. Fechou a porta atrás de si.
-Acho que não vou pra casa.
-Quer um sorvete?
-Pode ser.
Caminharam.
-De quê?
-Chocolate. E creme. Com calda.
-De quê?
-Caramelo.
-Ok.
Ela
A mãe já começava a mudar de idéias. Antes queria vê-la independente, solteira e feliz. Mas chegou a comentar com a empregada: "Quem dera ela namorasse aquele tal de Fábio... menino bom".
Riu quando ficou sabendo. E se preocupou. Se a mãe perdia as esperanças, talvez fosse hora de se preocupar mesmo.
Descobria o samba e a bossa. Queria passar o dia ao lado daqueles novos amigos. Era sempre uma surpresa. Sempre um dizer novo, uma frase genial. Queria ser assim, Genial.
Dançava sozinha no quarto, abraçando um homem imaginário. Lindo, não muito mais alto, cabelos castanhos, olhos claros. Talvez fosse o Dick Farney.
Lia, mas não de forma voraz como a irmã. Lia com calma, deleitando-se devagar. Demorava num livro só. Era amor, não era paixão.
Também costumava se irritar, tinha um gênio difícil, como muitos diriam. "Não bata as portas", reclamava a mãe vigilante.
Quando ficava nervosa demais, chorava. Chorava um pouco mais. "Lava a alma". "Chorar pra quê? Você tem tudo que pode querer".
Mas chorava escondido. Só o pobre vira-lata como testemunha. E ele lhe lambia as mãos, os pés, numa tentativa desesperada de faze-la parar.
Acordava sempre com o barulho da rua. Isso sim, a irritava. Às vezes, abria a janela e gritava: "Chega!".
E lá ia ela, se vestir. Os cabelos, rebeldes. Não adiantava tentar pentear. Tinha que seguir suas vontades. A roupa, em geral discreta. Não gostava de apertos, decotes, laços, laçarotes. Chamar a atenção não lhe seduzia.
Mas era bela, mesmo assim. Poucos notavam, na verdade. Mas depois que notavam, e olhavam mais algumas vezes, se convenciam. Ela, não. Tinha medo de esperanças. Preferia evita-las.
Namorado mesmo, só um. Ela mesma desistiu. Não queria passar a vida na sombra de alguém. Muito menos dele. A mãe nada disse. Dizia agora, na constante busca por um substituto.
"Achei mesmo que ia pra frente". "Não, mãe...".
Era isso que a fazia fugir deles. Todos eram-lhe iguais. À procura de uma seguidora, uma sombra. Egoístas e bestas, era como os classificava.
Ainda corria atrás dos estudos. Era boa no que fazia. Mas as oportunidades demoravam a bater à porta. Era ansiosa, vivia se queixando de tanto esperar. "Pelo quê, meu Deus?".
Enfim, colocava sua saia azul, sua blusa branca. Sapatos, às vezes vermelhos. E ia. Ia.
Bom dia
para viver,
para ficar,
para ir,
para escolher,
para fugir,
para esquecer,
para cair,
para levantar,
para satisfazer.
Um dia basta para odiar,
para amar,
para alimentar,
para esgotar,
para pedir,
para negar,
para contar.
Um dia, e basta.
Um dia, basta.