O que falta para ser o que queremos, quando parece que já somos e já temos tudo?
E passamos o tempo sonhando com tudo aquilo que também poderíamos ser. Mas pra que mudar? E imediatistas e jovens, acreditamos que será sempre assim, esquecendo os tantos anos que ainda nos faltam e o tanto de novos rumos e possibilidades eles também trarão. Não quero ser otimista, mas também sei que no fim, as coisas se ajeitam. Mas não quero ser só. Nem só mais uma. E então, como consigo por tanto tempo ficar parada, só observando o tempo passar? Consigo, e me repito por várias vezes. Depois percebo que perdi tempo. E me agilizo, me desespero.
Pra que viver sem colocar um laço na cabeça, só porque dizem que é feio? Pra que dizer o que querem sempre ouvir, e ler o querem que leias, e ouvir toda a besteira que lhe dizem?
São todos os iguais. E eu acredito ser diferente. Mas tenho medo - morro de medo - de, no fim, ser igual também.
Sunday, March 29, 2009
Sunday, March 15, 2009
Cor de Mel
Veio com a bandeja pesada e tentando equilibrar também o copo de suco de laranja. Assim que conseguiu pousa-la na mesa, avistou a amiga de outros tempos sentada um pouco mais adiante na praça de alimentação e o carrinho de bebê ao lado. Pediu licença à irmã, nem acreditava que afinal ia conhecer Gabriela, que só tinha visto na barriga. Aproximou-se e foi recebida com sorrisos. Gabi já tinha mais de um ano, o tempo que não se viam, e mandava beijos o tempo todo.
Olhos e cabelo cor de mel como os de Cristina. Contou que estava viajando no próximo final de semana, ia passar uma temporada fora do país, a trabalho, e nem sabia se voltava. A amiga sumida e agora mãe, lamentou o tempo perdido que agora poderia ficar irrecuperável. Ela contava que justamente na noite anterior havia feito uma pequena festa de despedida do Brasil. Cristina convidou-a a se sentar.
Antes que pudesse responder ele sentou-se com sua própria bandeja. Ela gelou. Já o conhecia, e não de qualquer noite, mas da noite anterior. Como um soco na barriga, tentou retomar o fôlego e pensar rapidamente, ao mesmo tempo em que tentava ouvir o que Cristina lhe dizia. Aquele era seu marido, Jorge. Muito prazer. Estendeu a mão gelada e disse seu nome, ao que ele cumprimentou e fingiu nunca ter ouvido ou visto mais magra. Não pôde acreditar na cara de pau.
Ontem mesmo se atracara com ela sem nenhuma cerimônia. Estava branca. Pediu licença, disse que a irmã já estava almoçando do outro lado da praça e que sua comida já devia ter esfriado. Cristina não percebeu nada. Desejou-lhe toda a felicidade do mundo. Ela ainda brincou um pouco com Gabriela, dos olhos cor de mel, que agora via, eram do pai. Saiu.
Sentou-se sem conseguir tirar os olhos do casal e da cara de pau que não sabia existir ainda no mundo. Não tinha como não lhe ter reconhecido. Ou tinha? Estaria assim tão bêbado? Ou será que era ela que estava alucinando, vendo coisas? Quem sabe não era ele? Mas olhava de novo e não tinha como negar a si mesma a verdade que lhe revirava o estômago o tempo todo. Sentia nojo. De si, dele. Mal conseguia comer. Gabriela se erguia no carrinho e a olhava, mandava beijos de longe, sorrindo. Ela cada vez mais pasma e convencida de que estava certa, às vezes se deixava perder na doçura do olhar cor de mel da menina.
Quando se levantou para pagar pelo almoço, já menos zonza do choque, vê o próprio Jorge vindo em sua direção, voltando do caixa do restaurante. Vai fingir que não me viu, claro. Gelada e sem saber se continuava ou se voltava pra trás, ela segue. Ele se aproxima e quando estão quase se esbarrando o tempo pára pelo milésimo de segundo em que ele pisca para ela e continua tranqüilo o seu caminho em direção à esposa e à filha, que ainda lhe manda beijos.
Olhos e cabelo cor de mel como os de Cristina. Contou que estava viajando no próximo final de semana, ia passar uma temporada fora do país, a trabalho, e nem sabia se voltava. A amiga sumida e agora mãe, lamentou o tempo perdido que agora poderia ficar irrecuperável. Ela contava que justamente na noite anterior havia feito uma pequena festa de despedida do Brasil. Cristina convidou-a a se sentar.
Antes que pudesse responder ele sentou-se com sua própria bandeja. Ela gelou. Já o conhecia, e não de qualquer noite, mas da noite anterior. Como um soco na barriga, tentou retomar o fôlego e pensar rapidamente, ao mesmo tempo em que tentava ouvir o que Cristina lhe dizia. Aquele era seu marido, Jorge. Muito prazer. Estendeu a mão gelada e disse seu nome, ao que ele cumprimentou e fingiu nunca ter ouvido ou visto mais magra. Não pôde acreditar na cara de pau.
Ontem mesmo se atracara com ela sem nenhuma cerimônia. Estava branca. Pediu licença, disse que a irmã já estava almoçando do outro lado da praça e que sua comida já devia ter esfriado. Cristina não percebeu nada. Desejou-lhe toda a felicidade do mundo. Ela ainda brincou um pouco com Gabriela, dos olhos cor de mel, que agora via, eram do pai. Saiu.
Sentou-se sem conseguir tirar os olhos do casal e da cara de pau que não sabia existir ainda no mundo. Não tinha como não lhe ter reconhecido. Ou tinha? Estaria assim tão bêbado? Ou será que era ela que estava alucinando, vendo coisas? Quem sabe não era ele? Mas olhava de novo e não tinha como negar a si mesma a verdade que lhe revirava o estômago o tempo todo. Sentia nojo. De si, dele. Mal conseguia comer. Gabriela se erguia no carrinho e a olhava, mandava beijos de longe, sorrindo. Ela cada vez mais pasma e convencida de que estava certa, às vezes se deixava perder na doçura do olhar cor de mel da menina.
Quando se levantou para pagar pelo almoço, já menos zonza do choque, vê o próprio Jorge vindo em sua direção, voltando do caixa do restaurante. Vai fingir que não me viu, claro. Gelada e sem saber se continuava ou se voltava pra trás, ela segue. Ele se aproxima e quando estão quase se esbarrando o tempo pára pelo milésimo de segundo em que ele pisca para ela e continua tranqüilo o seu caminho em direção à esposa e à filha, que ainda lhe manda beijos.
Saturday, March 14, 2009
Um dia basta
Um dia basta para morrer,
para viver,
para ficar,
para ir,
para escolher,
para fugir,
para esquecer,
para cair,
para levantar,
para satisfazer.
Um dia basta para odiar,
para amar,
para alimentar,
para esgotar,
para pedir,
para negar,
para contar.
Um dia, e basta.
Um dia, basta.
**reiterando o primeiro post
para viver,
para ficar,
para ir,
para escolher,
para fugir,
para esquecer,
para cair,
para levantar,
para satisfazer.
Um dia basta para odiar,
para amar,
para alimentar,
para esgotar,
para pedir,
para negar,
para contar.
Um dia, e basta.
Um dia, basta.
**reiterando o primeiro post
Thursday, March 12, 2009
We
Mulheres são muitas. E uma só pode ser várias.
Para cada homem que entrar na sua vida, a mulher sabe que tem que ser uma mulher própria dele.
Para os tímidos, a confiante.
Para os confiantes, a orgulhosa.
Para os orgulhosos, a superior.
Para os superiores, a paciente.
Para os pacientes, a ousada.
Para os ousados, a bem criada.
Para os bem criados, a inteligente.
Para os inteligentes, a interessante.
Para os interessantes, a interessada.
Para os cavalheiros, a lisonjeada.
Para os autênticos, a própria.
E assim por diante...
Até chegar o que escuta, ao invés de falar.
Para cada homem que entrar na sua vida, a mulher sabe que tem que ser uma mulher própria dele.
Para os tímidos, a confiante.
Para os confiantes, a orgulhosa.
Para os orgulhosos, a superior.
Para os superiores, a paciente.
Para os pacientes, a ousada.
Para os ousados, a bem criada.
Para os bem criados, a inteligente.
Para os inteligentes, a interessante.
Para os interessantes, a interessada.
Para os cavalheiros, a lisonjeada.
Para os autênticos, a própria.
E assim por diante...
Até chegar o que escuta, ao invés de falar.
Friday, March 6, 2009
Sobre partir
Sobre a mesa, lembranças se misturavam. Todas recentes, todas ainda pungentes nos corações de quem as remexia. Na mesa longa de madeira as três moças com suas mães escolhiam a dedo as fotos a serem levadas pra casa. Uma recordação que, no momento, só parecia ser de preço salgado demais. Olhavam rápido cada foto, tentando tirar fora os olhos entreabertos, os sorrisos amarelos, os cabelos bagunçados. Eram muitas as opções e tudo parecia efêmero.
Me concentrei em fotos que me lembraram uma jornada longa, que no final sentia ser curta demais. Uma vida que há pouquíssimo tempo mudou repentinamente pra nunca voltar a se repetir. Pessoas como eu, juntas de mim, dividindo um destino que se concretizou e mandou cada um para o seu lado.
Ali, escolhendo fotos, eu e mais duas desconhecidas, todas formandas em algum curso, senti que o momento era de fechamento. Olhei para as fotos de uma festa. Quis levar tudo comigo, de uma vez. Quis não largar mais. Mas, como eu disse, o preço era salgado. De modo que tive que escolher entre as mais representativas, as mais bonitas, os segundos mais preciosos de tantos anos.
Para que temos álbuns de foto? “Para ver daqui a 20 anos”, lembrou minha mãe. Nesse momento, me dei conta. Sim, vão se passar 20 anos. Trinta, quarenta. E nós estaremos lá. No álbum. Felizes, no momento mais belo de cada um, rindo para quem quiser ver. Sonhando com o mundo que no final conhecemos e tentando imaginar onde estará cada um de nós naquele exato momento.
Me concentrei em fotos que me lembraram uma jornada longa, que no final sentia ser curta demais. Uma vida que há pouquíssimo tempo mudou repentinamente pra nunca voltar a se repetir. Pessoas como eu, juntas de mim, dividindo um destino que se concretizou e mandou cada um para o seu lado.
Ali, escolhendo fotos, eu e mais duas desconhecidas, todas formandas em algum curso, senti que o momento era de fechamento. Olhei para as fotos de uma festa. Quis levar tudo comigo, de uma vez. Quis não largar mais. Mas, como eu disse, o preço era salgado. De modo que tive que escolher entre as mais representativas, as mais bonitas, os segundos mais preciosos de tantos anos.
Para que temos álbuns de foto? “Para ver daqui a 20 anos”, lembrou minha mãe. Nesse momento, me dei conta. Sim, vão se passar 20 anos. Trinta, quarenta. E nós estaremos lá. No álbum. Felizes, no momento mais belo de cada um, rindo para quem quiser ver. Sonhando com o mundo que no final conhecemos e tentando imaginar onde estará cada um de nós naquele exato momento.
Thursday, March 5, 2009
A Fábula da Academia
Meu corpo me traiu. Descobri há poucos meses, quando ganhei uns 2 quilinhos e não consegui mais perder. E esse foi só o primeiro sinal de que tudo estava mudando radicalmente e sem que eu percebesse. Antes, eu podia engordar e emagrecer o quanto quisesse. Era rápido voltar ao peso original. Uma semana e era como se nada me tivesse acontecido. Mas dessa vez nao foi assim. Depois de umas 3 semanas em jejum, finalmente voltei ao peso original, mas os musculos pareciam estar no lugar errado. E quando eu parei de olhar por 2 segundos, ganhei todo o peso emagrecido e alguns gramas extras, como se fosse um aviso. “Primeira vez...”, alguém já ouviu essa piada? Eu já.
Desde o meu aniversário de 21 as coisas não são mais as mesmas. E no de 22, há quase mês, ficou óbvio que eu tinha que começar a mudar minha forma de me encarar como a única mulher imune aos quilinhos permanentes. O golpe de misericórdia chegou ainda na semana passada. Carnaval. Diamantina. Pulei, andei, bebi, não comi quase nada que prestasse. Não emagreci uma grama. Voltei do carnaval feito uma mendiga esfomeada e em 5 dias, 2 kilos extras. Alguém me explica??
Decidi que chegou a hora de deixar a adolescente esbelta e aficionada por academia para trás e aceitar alguns fatos importantes:
a) Eu odeio academia
b) Eu engordo fácil
c) Eu não emagreço fácil
d) Eu AMO comer.
Como retaliação ao meu corpo traidor, fui fazer uma avaliação na antiga academia. Todos me cumprimentaram como se eu fosse um fantasma ressurgido das cinzas com aquelas frases bem bacanas tipo “Sumiu, hein?” e “Tomou vergonha na cara, né?”. Blébléblé...
Avaliação física deveria ser lembrada como uma das mais embaraçosas situações em que você se mete por escolha própria, junto com dividir o elevador com 5 pessoas e coisas do tipo. Aquela pessoa, suposta profissional, te examinando de tão perto que você nem sabe pra onde olhar direito. Te apalpando, apertando com aquele aparelho montruoso de medir gordura, e te medindo literalmente de cima abaixo. Pra no final te dizer o que você já sabe, ou do contrário não estaria ali. Que está muito acima do peso desejado. Uau!
Outra coisa que não me colocam na cabeça é a tal da palavra encurtamento. Eu tenho vários pelo que pude aprender na minha avaliação. Na coxa, nos pés, nas costas e em músculos que eu nem sabia que tinha.
Finalmente, ela te recomenda mil alongamentos e uma musculação muito séria para cortar males pela raiz. E te fala aquela ladainha que você já cansou de ler em revistas femininas. Comer de 3 em 3 horas faz bem, andar sempre com a postura adequada, vir pelo menos 3 vezes por semana e alongar direitinho.
Ok, me poupem os detalhes. Eu tenho 22 anos e me sinto com 32. Quando olhei minha cara no espelho do elevador, voltando dessa sessão horrorosa de medições e fitas métricas, bateu uma vontade imensa de fazer um peeling!
Desde o meu aniversário de 21 as coisas não são mais as mesmas. E no de 22, há quase mês, ficou óbvio que eu tinha que começar a mudar minha forma de me encarar como a única mulher imune aos quilinhos permanentes. O golpe de misericórdia chegou ainda na semana passada. Carnaval. Diamantina. Pulei, andei, bebi, não comi quase nada que prestasse. Não emagreci uma grama. Voltei do carnaval feito uma mendiga esfomeada e em 5 dias, 2 kilos extras. Alguém me explica??
Decidi que chegou a hora de deixar a adolescente esbelta e aficionada por academia para trás e aceitar alguns fatos importantes:
a) Eu odeio academia
b) Eu engordo fácil
c) Eu não emagreço fácil
d) Eu AMO comer.
Como retaliação ao meu corpo traidor, fui fazer uma avaliação na antiga academia. Todos me cumprimentaram como se eu fosse um fantasma ressurgido das cinzas com aquelas frases bem bacanas tipo “Sumiu, hein?” e “Tomou vergonha na cara, né?”. Blébléblé...
Avaliação física deveria ser lembrada como uma das mais embaraçosas situações em que você se mete por escolha própria, junto com dividir o elevador com 5 pessoas e coisas do tipo. Aquela pessoa, suposta profissional, te examinando de tão perto que você nem sabe pra onde olhar direito. Te apalpando, apertando com aquele aparelho montruoso de medir gordura, e te medindo literalmente de cima abaixo. Pra no final te dizer o que você já sabe, ou do contrário não estaria ali. Que está muito acima do peso desejado. Uau!
Outra coisa que não me colocam na cabeça é a tal da palavra encurtamento. Eu tenho vários pelo que pude aprender na minha avaliação. Na coxa, nos pés, nas costas e em músculos que eu nem sabia que tinha.
Finalmente, ela te recomenda mil alongamentos e uma musculação muito séria para cortar males pela raiz. E te fala aquela ladainha que você já cansou de ler em revistas femininas. Comer de 3 em 3 horas faz bem, andar sempre com a postura adequada, vir pelo menos 3 vezes por semana e alongar direitinho.
Ok, me poupem os detalhes. Eu tenho 22 anos e me sinto com 32. Quando olhei minha cara no espelho do elevador, voltando dessa sessão horrorosa de medições e fitas métricas, bateu uma vontade imensa de fazer um peeling!
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