Afinal, do que são feitos os relacionamentos?
É de momentos a dois, com abraços longos e beijos molhados?
É de idas ao cinema, coisa que você não se atreve a fazer sozinho?
É das brigas e fazer de pazes, sempre com um intervalo doloroso e dramático?
É das fotos que se acumulam no celular, junto aos vídeos que foram apagados?
É dos lençóis molhados e da roupa pelo chão?
É dos amassos dentro do carro, coisa que sua mãe já disse que é um perigo?
É das viagens cheias de percalços que terminam num hotelzinho charmoso em beira de estrada?
É dos cds trocados, livros emprestados ou dvds assistidos abraçadinhos?
É da pipoca dividida na praça, ao som de um violão?
É das visitas à farmácia quando um dos dois ficou doente?
É dos almoços em família, com frango assado e embaraço?
É das discussões intermináveis sobre política, literatura, cinema ou o futuro da humanidade?
É das reclamações sobre a bagunça, o clima, o filme ou a comida?
É das flores que se dá e se recebe?
É dos telefonemas no meio da madrugada?
É dos ciúmes irreprimidos e sem motivo aparente?
É dos jantares, pizzas ou box de comida chinesa?
É dos latidos do cachorro do vizinho?
É das festinhas e churrascos dos amigos em comum?
É da rotina criada só pra se agradar?
É de tudo isso e da hora em que temos que devolver os cds, os dvds, os livros, as vitrolas, as máquinas de escrever, os beijos, os abraços, os sorrisos, as risadas, os caprichos, as noitadas, os jantares, a comida chinesa, o cachorro, a sogra, a gripe, o cinema, o sorvete, a pipoca, a praça, o violão, a falta, o carinho, a saudade, os amigos, os apelidos, as flores, as viagens, as brigas, a rotina, os amassos, a farmácia, a bagunça, os lençóis?
Como dói devolver você.